Quando comecei a pensar a composição do blog Cinema e Educação veio na cabeça os vários textos que tenho feito descrevendo experiências de cinema ligadas à educação e aos direitos humanos, nos últimos três anos. Lembrei inicialmente destes que já postei, de dezembro de 2010 até os dias de hoje. Depois vieram outros e mais outros, que fiz no ano passado, retrasado, (re)retrasado. Acostumada com o gerenciamento de conteúdo de sites, que na maioria das vezes segue uma cronologia que deve ser respeitada, pois se baseia no que é factual aqui e agora, fiquei por alguns segundos pensando numa saída para encaixar estas outras opções de conteúdos que me fugiram da memória. Daí, caí na real e entendi que estava no meu blog (rsrsrs!).
Bem, hoje vou seguir a cronologia da memória, postando minha primeira experiência com uma sessão cineclubista do Cine Califórnia Itinerante na Escola Estadual Nossa Escola, em Jaboatão dos Guararapes, no dia 27 de setembro de 2010. Que público, hein? E vamo que vamo!
Bem, hoje vou seguir a cronologia da memória, postando minha primeira experiência com uma sessão cineclubista do Cine Califórnia Itinerante na Escola Estadual Nossa Escola, em Jaboatão dos Guararapes, no dia 27 de setembro de 2010. Que público, hein? E vamo que vamo!
Uma Quadra de CInema na Nossa Escola
Uma quadra
que virou sala de cinema ou uma sala de cinema educacional? Foi pensando neste novo
formato que entrei satisfeita, na segunda-feira (27), na quadra de
cinema da Escola Estadual Nossa Escola, localizada na Comunidade das Carolinas,
no bairro de Candeias – Jaboatão dos Guararapes, onde o Cine Califórnia
realizou mais uma sessão cineclubista, a partir das 19h30 da noite, para 100
alunos e professores do turno da noite.
A surpresa
se tornava cada vez mais agradável, ao ver entrar naquela quadra de cinema, jovens, adultos e senhoras da terceira idade,
juntamente com as professora e coordenadoras da escola. Eram 100 lugares, cuidadosamente
arrumados pelos funcionários da instituição, que imediatamente vi serem
ocupados por um público sorridente, disposto a trocar experiências audiovisuais
conosco.
Na medida em que o som era ajustado para a
sessão, os comentários giravam em torno do filme “O Contador de Histórias”, um
documentário feito pelo realizador mineiro, Luiz Vilaça, que narra a história
de Roberto Carlos, um menor que foi entregue a FEBEM pela mãe, cujo sonho era
dar uma vida melhor ao filho querido. Ouvi um dos funcionários da escola dizer:
“outro dia desses, vi o Roberto Carlos no Programa do Jô Soares. Ele já está um
adulto formado, é professor e contou como foi importante para a vida dele contar
sua própria história e se transformar num contador de histórias conhecido no
mundo”.
Ruth Pinho, coordenadora do cineclube, abriu a sessão anunciando que em breve o Cine
Califórnia estará itinerando por várias outras escolas estaduais, em mais um
projeto de cinema nas escolas, que teve como ponto de partida as sessões
realizadas na Nossa Escola. Antes de ser longamente aplaudida pelo público
presente, sugeriu que a temática do filme exibido fosse contada através de uma
redação e entregue aos professores em sala de aula. “O cinema muitas vezes transporta
histórias da literatura para a tela grande e faz com que todo mundo aprenda
junto. Segundo uma frase de um amigo meu, gostar de cinema é tão bom quanto
andar de bicicleta, mesmo na garupa”, completa Ruthinha.
A sessão
começa com alguns minutos de atraso e logo o silêncio se estabelece na quadra. Para
mim que vivenciava pela primeira vez uma sessão em escola com um público tão
grande, bom mesmo foi observar emocionada que o argumento do filme prendeu a
atenção de todo mundo por 1h40 minutos. O documentário gira em torno da cura do
menor infrator já desenganado - diga-se de passagem – de nome Roberto Carlos.
Esta cura foi proporcionada pelo interesse da pedagoga francesa que conhece ele
na FEBEM e resolve entrevistá-lo, estudar a história do menino, para
desenvolvê-la em seus estudos, estabelecendo com ele uma convivência de amor, respeito
e cidadania.
O filme é
narrado pelo próprio Roberto ainda criança e tinha tudo para ser denso e
difícil, mas torna-se leve e bem humorado, quando transforma cenas de grande
emoção e sofrimento, num cenário de cores Almodovianas e superação, vindo do
imaginário infantil. Um filme brasileiro de excelente qualidade, com certeza
pensado e montado para ser visto nas escolas e transformado em ferramenta
pedagógica de aprendizado.
Os aplausos
de todos no final do filme e a hora que já se aproximava das 22h00 fez com que
muita gente viesse nos abraçar e sair rapidamente afirmando ter sido este o
melhor filme já exibido. Eu e Ruthinha ficamos muito felizes diante desta grata
experiência educacional. O Cine Califórnia Itinerante recomenda este documentário para
quem acredita na superação pela pedagogia, amor e respeito às diferenças!!!
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