Paulo Freire

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Uma Quadra de Cinema na Nossa Escola


Quando comecei a pensar a composição do blog Cinema e Educação veio na cabeça os vários textos que tenho feito descrevendo experiências de cinema ligadas à educação e aos direitos humanos, nos últimos três anos. Lembrei inicialmente destes que já postei, de dezembro de 2010 até os dias de hoje. Depois vieram outros e mais outros, que fiz no ano passado, retrasado, (re)retrasado. Acostumada com o gerenciamento de conteúdo de sites, que na maioria das vezes segue uma cronologia que deve ser respeitada, pois se baseia no que é factual aqui e agora, fiquei por alguns segundos pensando numa saída para encaixar estas outras opções de conteúdos que me fugiram da memória. Daí, caí na real e entendi que estava no meu blog (rsrsrs!).


Bem, hoje vou seguir a cronologia da memória, postando minha primeira experiência com uma sessão cineclubista do Cine Califórnia Itinerante na Escola Estadual Nossa Escola, em Jaboatão dos Guararapes, no dia 27 de setembro de 2010. Que público, hein? E vamo que vamo!

Uma Quadra de CInema na Nossa Escola


Uma quadra que virou sala de cinema ou uma sala de cinema educacional? Foi pensando neste novo formato que entrei satisfeita, na segunda-feira (27), na quadra de cinema da Escola Estadual Nossa Escola, localizada na Comunidade das Carolinas, no bairro de Candeias – Jaboatão dos Guararapes, onde o Cine Califórnia realizou mais uma sessão cineclubista, a partir das 19h30 da noite, para 100 alunos e professores do turno da noite.

A surpresa se tornava cada vez mais agradável, ao ver entrar naquela quadra de cinema, jovens, adultos e senhoras da terceira idade, juntamente com as professora e coordenadoras da escola. Eram 100 lugares, cuidadosamente arrumados pelos funcionários da instituição, que imediatamente vi serem ocupados por um público sorridente, disposto a trocar experiências audiovisuais conosco.

 Na medida em que o som era ajustado para a sessão, os comentários giravam em torno do filme “O Contador de Histórias”, um documentário feito pelo realizador mineiro, Luiz Vilaça, que narra a história de Roberto Carlos, um menor que foi entregue a FEBEM pela mãe, cujo sonho era dar uma vida melhor ao filho querido. Ouvi um dos funcionários da escola dizer: “outro dia desses, vi o Roberto Carlos no Programa do Jô Soares. Ele já está um adulto formado, é professor e contou como foi importante para a vida dele contar sua própria história e se transformar num contador de histórias conhecido no mundo”.

Ruth Pinho, coordenadora do cineclube, abriu a sessão anunciando que em breve o Cine Califórnia estará itinerando por várias outras escolas estaduais, em mais um projeto de cinema nas escolas, que teve como ponto de partida as sessões realizadas na Nossa Escola. Antes de ser longamente aplaudida pelo público presente, sugeriu que a temática do filme exibido fosse contada através de uma redação e entregue aos professores em sala de aula. “O cinema muitas vezes transporta histórias da literatura para a tela grande e faz com que todo mundo aprenda junto. Segundo uma frase de um amigo meu, gostar de cinema é tão bom quanto andar de bicicleta, mesmo na garupa”, completa Ruthinha.


A sessão começa com alguns minutos de atraso e logo o silêncio se estabelece na quadra. Para mim que vivenciava pela primeira vez uma sessão em escola com um público tão grande, bom mesmo foi observar emocionada que o argumento do filme prendeu a atenção de todo mundo por 1h40 minutos. O documentário gira em torno da cura do menor infrator já desenganado - diga-se de passagem – de nome Roberto Carlos. Esta cura foi proporcionada pelo interesse da pedagoga francesa que conhece ele na FEBEM e resolve entrevistá-lo, estudar a história do menino, para desenvolvê-la em seus estudos, estabelecendo com ele uma convivência de amor, respeito e cidadania.

O filme é narrado pelo próprio Roberto ainda criança e tinha tudo para ser denso e difícil, mas torna-se leve e bem humorado, quando transforma cenas de grande emoção e sofrimento, num cenário de cores Almodovianas e superação, vindo do imaginário infantil. Um filme brasileiro de excelente qualidade, com certeza pensado e montado para ser visto nas escolas e transformado em ferramenta pedagógica de aprendizado.

Os aplausos de todos no final do filme e a hora que já se aproximava das 22h00 fez com que muita gente viesse nos abraçar e sair rapidamente afirmando ter sido este o melhor filme já exibido. Eu e Ruthinha ficamos muito felizes diante desta grata experiência educacional. O Cine Califórnia Itinerante recomenda este documentário para quem acredita na superação pela pedagogia, amor e respeito às diferenças!!!


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