Paulo Freire

sábado, 21 de julho de 2012

Cineclube Cidadania exibe documentários brasileiros e debate o empreendedorismo cidadão na escola

Por Ana Cláudia Vasconcelos (81 9160 5301)





Exibir filmes cujos roteiros contam histórias de pessoas que acreditaram em seus próprios sonhos e investiram em empreendimentos criativos e cidadãos. Foi com este objetivo que o Cineclube Cidadania iniciou suas atividades em abril deste ano com os alunos do Ensino Médio do Colégio João Barbalho. Para preparar pedagogicamente a maioria destes jovens que se encontram em fase pré-vestibular, através da reflexão audiovisual.

A sessão do mês de junho – por conta da passagem do aniversário de 90 anos da escola – foi realizada dia 11/06 e programada para exibir o curta pernambucano O Mundo é uma Cabeça, dos realizadores Bidu Queiroz e Cláudio Barroso, com 17 minutos de duração “justamente para sobrar tempo para ampliar o debate e fazer o link com as duas sessões anteriores”, esclarece a jornalista cultural e coordenadora do Cineclube Cidadania, Ana Cláudia Vasconcelos.

Desta vez, além dos estudantes do 1º. 2º e 3° ano do Ensino Médio, também estavam presentes alguns do 8° e do 9° ano do Ensino Fundamental II que foram se juntar aos cerca de 100 alunos presentes à Sala de Tecnologia do Colégio João Barbalho. Do corpo docente compareceu à exibição a nossa aliada e maior incentivadora da ação cineclubista na escola, a coordenadora da noite e pedagoga Ana Ruth e alguns professores de Artes, História, Português e Geografia, além da presença do músico e webmaster Mavi Pugliesi - um dos integrantes do Cineclube Cidadania – e a colaboração da professora de artes Conceição Patrício, que fez o registro em foto e vídeo da sessão, e da designer Anna Zidanes que veio conhecer nosso trabalho social.

Antes de iniciar a sessão Ana Cláudia Vasconcelos falou sobre a abrangência multidisciplinar do tema empreendedorismo cidadão presente nos três filmes até então exibidos: "conversaremos sobre música, mercado cultural, economia criativa, políticas públicas, memória, patrimônio cultural, biodiversidade e o Movimento Mangue, a cura pela elevação da autoestima e ainda sobre a importância de uma comunicação mais objetiva na vida". As luzes foram apagadas e logo se via e ouvia a música do saudoso músico Chico Science e sua banda Nação Zumbi.

O filme é um documentário em curta metragem que conta a história do talento de Chico Science e registra a memória do movimento mangue que revitalizou a autoestima da cena pernambucana dos anos 90 e por isso mesmo instigou a turma que logo se identificou com o tema e se animou para o debate, que começou em seguida.

O que existe em comum entre os documentários O Contador de Histórias (exibido pelo Cineclube Cidadania em abril), Lixo Extraordinário (exibido em maio) e O Mundo é uma Cabeça (exibição de junho)? Pergunta a jornalista e cineclubista Ana Cláudia Vasconcelos para a turma. Érica Nascimento, 27 anos, aluna do 8º ano do Ensino Fundamental II, responde: "O filme o Mundo é uma Cabeça e Lixo Extraordinário trazem as mesmas ideias de dois ex-moradores da periferia que querem levar sua comunidade para o mundo e obter o sucesso". Começa o burburinho na sala de aula. "É importante saber que a nossa arte tem força lá fora, é valorizada no mundo", completa Alisson. A classe ficou muita agitada com os comentários. Noronha (18), aluno do 1º ano, pede as letras das músicas de Chico Science que são cantadas no filme, se empolga, chega junto e diz que depois gostaria de conversar sobre um filme que está fazendo.

Neste momento, Ana Ruth pede silêncio a turma e orienta que os alunos valorizem este formato de aula não tradicional, pois também é uma forma de aprendizado através da leitura crítica do conteúdo audiovisual, assim como escutando as observações do colega.

“E o que significa para vocês a frase que aparece no final do filme: basta um passo na frente e você não está mais no mesmo lugar? Finaliza a coordenadora do cineclube, Ana Cláudia Vasconcelos com mais uma provocação para a turma. Quem responde desta vez é o aluno do 3° ano do Ensino Médio, Emersson Araújo, de 17 anos: "Nos dois filmes existem este movimento. Tudo começou com a grandeza da arte de cada um", recebe as palmas de todo mundo e foi encerrada a sessão. Voltaremos em agosto, depois das férias escolares!









terça-feira, 1 de maio de 2012

Amanhã (02/05) tem Lixo Extraordinário no Cineclube Cidadania


Por Ana Cláudia Vasconcelos

O fim de tudo que é bom.  O resto, o bagaço, o que ninguém valoriza mais. Geralmente é este o conceito atribuído à palavra lixo. Só que este conceito está ultrapassado, assim como o de velho e novo, certo e errado, Deus e o Diabo. Os limites da parte estão cada vez mais definidos, no entanto sua função social só tem sentido se atrelada ao todo: os órgãos e emoções ao corpo humano, todo ser vivo ao planeta Terra, assim como a responsabilidade e contextualização do que a gente é na vida que a gente leva e pretende ainda levar. Ação, reação e alquimia. Comunicação, educação, química, física, biologia, ecologia, psicologia, filosofia, ecosofia, cultura, artes, economia criativa. Tudo bem simples, em transformação, ao nosso alcance e dentro da nossa própria casa.

É deste novo conceito de lixo que vamos debater amanhã (quarta-feira, 02/05) no Cineclube Cidadania com os alunos do Ensino Médio do Colégio João Barbalho, a partir das 19hs. Do lixo que deixa de ser o oposto do luxo para se transformar em algo valioso e mais sofisticado ainda, pois se aproxima da nossa identidade, da saúde, da felicidade e cuidado com o meio ambiente, seja ele interno, como o lixo que jogamos na nossa mente e pensamentos, a preservação do nosso patrimônio imaterial, a importância da seleção do que comemos; ou meio externo como a reciclagem do lixo que jogamos no cesta da nossa cozinha, rua ou planeta.

Então como adaptar um objeto que supostamente já nos serviu e está acabado num outro produto novamente aproveitável? É possível mesmo empreender ao transformar o lixo em algo útil e duradouro? Este conceito de reclicar produtos, alimentos, emoções, experiências de vida ou mesmo recursos naturais presentes no planeta Terra será discutido e vivenciado logo após a sessão do documentário Lixo Extraordinário que inicia às 19h00 - uma coprodução Brasil-Inglaterra, dirigida por Lucy Walker, João Jardim, e Karen Harley – com os alunos do Ensino Médio, professores e coordenadores da escola e a pedagoga especialista em Gestão Ambiental, Produtos Naturais e Plantas Medicinais, Nyomísia Guimarães, nossa convidada especial.

“Depois de assistirmos ao documentário vou propor aos alunos uma atividade lúdica de sensibilização à educação ambiental com o miolo do rolo de papel higiênico. Eles vão transformar este objeto que se joga no lixo em algo útil para as suas vidas”, garante a pedagoga que trabalha com reciclagem de lixo na Sustentare, empresa que presta serviço de limpeza urbana à Prefeitura Municipal de Teresina, no Estado do Piauí. Como já dizia o mestre Paulo Freire: “...Aprender é incorporar a dúvida e estar aberto a múltiplos encontros”.

–Saudações cineclubistas a todos!

Ana Cláudia Vasconcelos
Jornalista Cultural e Coordenadora do Cineclube Cidadania
            (81) 9160 5301          

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Cineclube Cidadania inicia suas atividades no Colégio Estadual João Barbalho



Por Ana Cláudia Vasconcelos (jornalista cultural e cineclubista – 81* 9160 5301)

Como um adolescente que estuda na escola pública pode se transformar de fato num cidadão?  O Cineclube Cidadania foi criado para refletir e propor sugestões que possam viabilizar as respostas desta pergunta para os alunos do Colégio Estadual João Barbalho. Começou na última terça (03/04), a partir das 19hs, com a exibição do longa-metragem (100min) O Contador de Histórias, de Luiz Vilaça, para cerca de 100 alunos do Ensino Médio. E continua toda primeira terça-feira do mês, na sala do Centro de Tecnologia/CTE com a proposta de levar para estes adolescentes filmes nacionais com conteúdos que reflitam os direitos humanos.

“A ideia é debater com os alunos, logo após cada sessão, de que forma será possível praticar como cidadão a temática desenvolvida no filme”, destaca a jornalista cultural, cineclubista e coordenadora do Cineclube Cidadania, Ana Cláudia Vasconcelos. O Contador de Histórias, de Luiz Vilaça, mostra a vida real de Roberto Carlos Ramos, pedagogo mineiro e um dos melhores contadores de história da atualidade, que foi criado na Febem, desde os seis anos de idade. Aos 13 anos ele conhece a pedagoga francesa Margherit Duvas (Maria de Medeiros), que mudou sua vida radicalmente.

Para quem não conhece, o Colégio João Barbalho foi uma das escolas públicas do Grande Recife que ofereceu uma excelente qualidade de ensino para seus alunos, sendo responsável nas décadas de 70 e 80, pela formação de muita gente boa que se encontra hoje na faixa dos 40 para 50 anos de idade. Está situado no Parque 13 de Maio, no Bairro da Boa Vista, pulmão do Centro do Recife.

Há aproximadamente 35 anos o colégio foi palco da história de uma turma de adolescentes que, entre outros que estudaram no João Barbalho, empreenderam na vida e criaram raízes na escola. Esta turma, sensibilizada pelo desafio assumido pela atual diretoria - em relação ao enfretamento do consumo e venda de crack dos estudantes dentro do estabelecimento de ensino - resolveu se reunir novamente para oferecer ao Colégio João Barbalho novas oportunidades de projetos sociais.

“Eu fiz parte desta turma e assim como o colega e professor Valdecy Gusmão - que já está dentro da escola realizando oficinas preparatórias de Português e Matemática para o Instituto Federal de Pernambuco/IFPE (antiga escola técnica) com os alunos do Ensino Fundamental II - estou contribuindo com a formação da reflexão cidadã através do audiovisual para o estudantes do Ensino Médio, que estão se preparando para escolher uma profissão, prestar vestibular e entrar numa faculdade”, finaliza a jornalista.

Acesse o meu blog: cinemaeeducacao@blogspot.com


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Cine Califórnia Itinerante encerra em Ipojuca projeto de exibição audiovisual em 12 escolas públicas do Estado

Por Ana Cláudia Vasconcelos - (Assessoria de Comunicação – 81*9160 5301/8422 9310)

25/11/2011




O Cine Califórnia Itinerante realizou a sua última sessão cineclubista de 2011 na Escola de Referência e Ensino Médio de Ipojuca, nesta quarta-feira (16/11), às 14h00. Encerrar este projeto de exibições audiovisuais com conteúdo nacional direcionado para os adolescentes do Ensino Médio de 12 escolas da rede pública de ensino do Estado foi uma vivência super prazerosa e de grande aprendizado para a equipe composta pela idealizadora do projeto, a cine-educadora Ruth Pinho, pelo produtor Carlos Mattos e por mim, Ana Cláudia Vasconcelos, na assessoria de comunicação.


Para chegar até a escola, viajamos rumo ao litoral sul de Pernambuco. Um passeio belíssimo e por isso mesmo, inesquecível. No caminho, logo após o pedágio da nova Ponte do Paiva, qualquer assunto fica pra depois diante do espetáculo de céu, mar e coqueiros de tirar o fôlego que só combinam com silêncio e contemplação à natureza!  


A sala de aula da escola tinha 75 cadeiras que abrigaram os alunos do 1º, 2º e 3º ano. Para caprichar e deixar tudo no mais completo escurinho do cinema, a cine-educadora Ruth Pinho pediu algumas folhas de papel madeira para a professora de português, Fátima Oliveira e logo todas as janelas da sala estavam completamente protegidas de qualquer claridade.


Ambiente totalmente adaptado e equipamentos testados para começar a exibição do curta pernambucano de Marcelo Lordello, Nº 27 (20min) e o longa-metragem do realizador gaúcho, Jorge Furtado, Houve uma vez Dois Verões (70min). Ambos com roteiros que propuseram uma discussão sobre os conflitos da adolescência - fase da vida na qual acontecem grandes mudanças no corpo e na mente dos jovens em formação.


Ruth Pinho apresenta o projeto do Cine Califórnia Itinerante e toda a equipe para a turma. Depois pergunta: -quem sabe por que a atividade de levar cinema para a escola com debate depois das exibições é muito importante para vocês que estão no Ensino Médio? Gente vocês vão fazer vestibular! Já devem estar se perguntando qual profissão escolher, né não? Além de formar um público estudantil mais culto e crítico, pois aprendemos muito debatendo os conteúdos nacionais exibidos, existe também uma cadeia produtiva do cinema que vocês precisam conhecer e explorar, reforça. Todo mundo ligado só escutando!


"Vocês sabiam que, para fazer um filme em longa-metragem é preciso uma equipe de cerca de 70 profissionais?", continua Ruthinha. E ela mesmo responde: tem o diretor, roteirista, diretor de fotografia, diretor de elenco, elenco, produtor executivo, diretor de arte, continuista, still...é muita gente! E ninguém é mais importante do que ninguém, cada um tem o seu papel na realização do filme! Esclarece a cine-educadora um pouco antes de iniciar a sessão cineclubista.


Quando acabou a exibição dos dois filmes, desta vez, quem abriu o debate fui eu com a seguinte pergunta: -Alguém sabe porque o filme de Marcelo Lordello se chama Nº 27? “É o número da chamada do menino na turma dele. Agora observei que ele não tem uma conclusão”, chama a atenção a estudante do 3º ano, Vanessa Natal, de 17 anos. Daí fiz outra pergunta e direcionei para Vanessa: qual final você criaria para o curta? Ela responde: a diretora da escola faria uma palestra para pais e alunos sobre como lidar com a situação, para conscientização de todos os envolvidos. Gritos da turma e muitos aplausos!


“Quem sofre o bulling tem medo de falar. Muitos pais são ausentes também”, complementa Eduardo Felipe, 16 anos, estudante do 1º ano. “Acredito que o bulling é uma perda de tempo. Se cada um tomasse consciência que todos temos nossa diferenças não tomaríamos conta das diferenças dos outros”, conclui Emersson Oliveira, 16, do 2º ano. O que vocês acharam de Roza, do filme Houve uma Vez Dois Verões? Pergunta Carlos Matos para a turma. “Adolescente que age pelo momento, não com prevenção’, define Livia Mariana, 17, do 3º ano. “Dá pra perceber que ela tinha um relacionamento com o dono do fliperama”, interpreta Geise Mirelle, 17, 3º ano. “Ela agia assim como meio de sobrevivência! ”Enfatiza Jaqueline Maria, 18, 3º ano. Já a professora Fátima,  demonstra uma percepção mais abrangente quando arremata: -desde o começo ele se entregou com muito desprendimento a este amor! 


Na sequência, as camisas foram entregues aos dois alunos que mais se destacaram em suas colocações, assim como dois DVDs do filme Incenso, do cineasta pernambucano (in memorian) Marcos Hanois - sendo um doado para o acervo da escola – e os livretos  de literatura de cordel do projeto Incenso na Escola aos resto da turma, além de distribuída pipoca de graça para todos e ainda uma sessão de fotos para a memória do Cine Califórnia Itinerante.


Cine Califórnia Itinerante é um projeto do Cine Califórnia, patrocínio do Funcultura/ Audiovisual, Fundarpe, Secretaria de Educação e Governo de Pernambuco, através do 3º Edital do Programa de Fomento à Produção Audiovisual de Pernambuco/ FUNCULTURA 2009-2010, com apoio do MinC/ Regional NE e Federação Pernambucana de Cineclubes/ FEPEC e ao Conselho Nacional de Cineclubes/ CNC.