A ideia é argumentar todos os ângulos do cinema voltado para a educação. Do cinema comprometido com a identidade do seu público alvo, que faz refletir os direitos humanos e a liberdade de expressão com exibições nas escolas públicas e privadas, presídios, hospitais e em comunidades onde pontos de cultura e pontos de leitura compartilham a memória, os valores e significados da cultura popular brasileira. Um cinema chamado cineclubismo: preocupado em formar cidadãos e não consumidores compulsivos!
Paulo Freire
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Cine Califórnia debate a adolescência na Escola Conde Correa de Araújo com a presença de alunos especiais
Quando chegamos a Escola Conde Correa de Araújo, em São Lourenço da Mata, por volta das 11h00 da manhã, da última sexta (23/09), logo percebi que a sessão do Cine Califórnia Itinerante seria das mais consistentes. Primeiro porque tínhamos acertado que a exibição aconteceria para 06 turmas do 1º ano do Ensino Médio Integral e segundo porque a gestora Angelina havia nos convidado para almoçar, já que a sessão estava programada para começar ás 13h30, em outras palavras, teríamos mais tempo para interagir com os funcionários e alunos da escola.
Equipamento checado e ajustado, a campainha tocou e vamos todos para o salão do almoço. No cardápio: feijão com arroz, frango, purê, salada e suco de maracujá. Comida caseira, simples e gostosa. Uma banana e depois um cafezinho da hora deixou nossa equipe esperta pra começar a trabalhar. Desta vez nosso público estava formado por 130 adolescentes do 1º ano do Ensino Médio Integral, já incluídos os 16 estudantes especiais, portadores de deficiência intelectual, acompanhados pela professora Gracinha. E ainda a Professora Sheyla e a gestora Angelina.
Durante a apresentação do projeto para os alunos, a cine-educadora Ruth Pinho sentiu a turma inquieta e aos poucos foi dialogando sobre a importância do cinema na escola, como mais um instrumento de aprendizado. As conversas paralelas foram cedendo aos poucos e a galera aprendendo a ouvir qual era o objetivo de levarmos o cinema para a escola pública, seguida de debate com os alunos. “Nossa programação deste ano nas escolas está focada na adolescência. Vamos ver dois filmes: um curta pernambucano de Marcelo Lordello, chamado nº 27 e um longa-metragem gaúcho de Jorge Furtado, Houve uma vez Dois Verões. Os dois vão contar histórias que se passam nesta fase que vocês estão vivendo. Parem, olhem e pensem que elas podem acontecer com qualquer um!”, finalizou Ruthinha.
O clipe de abertura dos filmes, feito por Tuka, da Center Vídeo envolveu a todos que antes mesmo do curta começar já se ouviam gritos e assovios ao som do batuque de maracatu de baque virado. Quando surgem as primeiras imagens de Nº 27, a platéia fica alguns minutos totalmente em silêncio. O filme cujo argumento girou em torno de uma situação de bulling vivido por um amigo do realizador, deixa o público de adolescentes com dificuldade de permanecer quieto sentado na cadeira, afinal quem nunca passou por um constrangimento ao ter que enfrentar uma dor de barriga repentina, num banheiro de escola sem papel higiênico?
“É o cagão” grita um adolescente, na cena em que o personagem do filme pede ajuda do coordenador do colégio para trocar de blusa. Gritos e brincadeiras. Os alunos especiais estavam totalmente concentrados no filme, riam, brincavam! –Tem sabão de coco! Porque ele não lava a camisa? Se divertia um deles com a situação. Quando o curta acabou, são os primeiros a puxar os aplausos que aos poucos ganha a adesão de todos os estudantes.
Rock´roll e um jogo de fliperama ilustram a cena de abertura em animação do filme de Jorge Furtado, cuja história se passa numa praia de veraneio gaúcha, no último mês de férias de uma garotada, que regida por hormônios, desejo de liberdade e descobertas sexuais, apronta com os moradores, inventa novidades para pegar as meninas a todo o custo, até que um deles é surpreendido pela descoberta do amor e vai atrás da garota até encontrá-la no próximo verão. Temas como a primeira transa, sexo com camisinha, o uso da pílula anticoncepcional, o que é o amor e as inquietações características da adolescência circulam pelo roteiro do filme.
Assim como ler o mesmo livro várias vezes em situações diferentes, sempre nos acrescenta algo novo, acompanhar a exibição dos mesmos filmes em várias escolas, diante de alguns comportamentos já padrões, como cenas de sexo=gritos+piadinhas+suspiros, o inusitado geralmente acontece.
“Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo”. O filme terminou com a música do compositor paulista, Walter Franco, interpretada pela Banda Pato Fu. Palmas e mais palmas! Ruthinha que estava na saída da sala e barrou alguns alunos apressados que queriam sair um pouco antes de terminar a exibição, subiu ao palco do auditório e perguntou: E aí gente? Gostaram? Os apressados já estavam sentadinhos de novo e sorriam como anestesiados pelo final feliz do filme. Uma ficção, que se utiliza de um fato real, acontecido em 1998, quando o Laboratório Schering do Brasil Química e Farmacêutica Ltda foi condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a pagar indenização coletiva no valor de R$ 1 milhão por ter colocado no mercado lotes do anticoncepcional Microvilar sem princípio ativo, ou seja, com farinha no lugar da mistura química, provocando gravidez indesejada nas consumidoras.
A aluna especial Clécia Jeane, 21 anos, pegou o microfone e disse: eu gostei do filme! Ela ficou grávida na hora que queria, perguntou Ruthinha? Não, ela tomava pílula, respondeu Clécia, que insistia em não largar o microfone! E a turma começou a se animar com o depoimento da colega. Quando lá do fundo da sala, se levanta uma aluna e diz: “eu quero que vocês botem a consciência na cabeça para não fazer besteira. E se dirige para o palco: eu era a pior aluna da escola, não era não, fala para a turma? Muita agitação! E continua: a gente tem que crescer e respeitar o outro. Quando a gente é moça tem que se cuidar na hora de transar! Afirmou decidida, Jaine da Silva, 18 anos. A turma vai saindo do auditório comentando a atitude positiva da garota.
No final foram distribuídos uma camisa do Cine Califórnia Itinerante, DVDs do filme Incenso - do cineasta pernambucano (in memorian) Marcos Hanois - baseado na poesia do também pernambucano, Ascenso Ferreira e livros de literatura de cordel do projeto Incenso na Escola, com os alunos que participaram do debate. Todo mundo ganhou pipoca de graça!
Cine Califórnia Itinerante é um projeto do Cine Califórnia, patrocínio do Funcultura/ Audiovisual, Fundarpe, Secretaria de Educação e Governo de Pernambuco, através do 3º Edital do Programa de Fomento à Produção Audiovisual de Pernambuco/ FUNCULTURA 2009-2010, com apoio do MinC/ Regional NE e Federação Pernambucana de Cineclubes/ FEPEC e ao Conselho Nacional de Cineclubes/ CNC.
Cine Califórnia Itinerante é um projeto do Cine Califórnia, patrocínio do Funcultura/ Audiovisual, Fundarpe, Secretaria de Educação e Governo de Pernambuco, através do 3º Edital do Programa de Fomento à Produção Audiovisual de Pernambuco/ FUNCULTURA 2009-2010, com apoio do MinC/ Regional NE e Federação Pernambucana de Cineclubes/ FEPEC e ao Conselho Nacional de Cineclubes/ CNC.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Mais Memória/Exibição do Cine Califórnia Itinerante Realiza Pré-estreia do filme Incenso no CREED
O papel da literatura na sociedade em que vivemos foi o tema da palestra do professor, escritor e diretor de teatro, Moisés Neto, que pontuou a pré-estréia do filme Incenso, do cineasta pernambucano Marco Hanois (in memorian), em mais uma sessão do Cine Califórnia Itinerante. Desta vez, a exibição foi realizada no Centro de Reeducação da Polícia Militar/CREED, para 60 militares presos, nesta quinta (18/11/2010), a partir das 10hs da manhã e emplacou um debate existencialista para refletir o trabalho de ressocialização carcerário.
Logo que chegamos ao presídio, fomos recebidos pelo Capitão Francisco Pires, responsável pelo Programa Reconstruindo a Cidadania do CREED, que nos apresentou os espaços de lazer do presídio, formados por uma biblioteca, sala de capoeira e artes marciais, sala de musculação, pequenos apartamentos onde os militares dormiam e um auditório, onde são realizadas exibições audiovisuais. O programa propõe o exercício da cidadania através da produção de eventos dentro do calendário cultural - envolvendo a interação dos reeducandos com a comunidade escolar de Caetés I,II e III – e a realização de festivais de cinema e mostras cineclubistas.
A cada sala que entrávamos, um misto de armas e sorrisos nos davam bom dia e nos abriam os caminhos para uma realidade pouco mostrada nos noticiários locais. Pois é, gente! Existe vida útil, saudável e um trabalho de parcerias com vários setores da sociedade, que começa a partir da visão e competência do diretor do CREED, o Tenente Coronel Oliveira, que acredita e investe no Programa Reconstruindo a Cidadania. “Recentemente estabelecemos uma parceria com a Universidade Federal de Pernambuco/UFPE que ministrou um curso de reciclagem de materiais para os reeducandos do CREED”, ressalta o Coronel Oliveira.
Abri a sessão cineclubista de Incenso embasando a importância do cineclubismo como forma de levar para o público a reflexão do conteúdo audiovisual voltado para os direitos humanos. Para garantir a atenção de todos, avisei que logo depois do filme sortearia uma camiseta e dois filmes para os participantes que me respondessem três perguntas sobre o roteiro em questão.
Na sequência, apresentei Moisés Neto, que também foi Assistente de Direção e colaborador do diretor e roteirista Marcos Hanois. Moisés, que iniciou sua explanação declamando momentos marcantes da poesia de Ascenso , enfatizou o sotaque e a pernambucanidade inserida em cada livro de sua autoria e contextualizou o inicio do debate, que começou antes e terminou depois do filme, ao perguntar: “Quando vocês estão fora do expediente se comportam como um profissional, ou não?”.
No burburinho das manifestações, mais uma provocação de Moisés Neto, desta vez representada pela poesia do escritor português, Fernando Pessoa: “Sê todo em cada momento que vive”. E vamos Incensar o CREED! As respostas conduziram a reflexão e participação de todos, que deram um intervalo para assistir Incenso, marcando sua pré-estreia com a presença de um público ativo e já preparado para o debate. Muitos aplausos antes e depois da sessão! Retomei o debate para fazer as perguntas do sorteio dos brindes que, com muita animação, não deram para quem quis. Moisés encerrou a atividade cineclubista propondo uma maior interação dos educadores no trabalho de ressocialização carcerária. Muitos aplausos antes e depois da sessão de Incenso.
O FILME - O roteiro de Incenso tem 20 minutos de duração e todos os seus diálogos – que contam o jeito de ser do povo pernambucano, através de pequenas histórias narradas numa cidadezinha da Zona da Mata de Pernambuco – foram construídos a partir da poesia de Ascenso Ferreira.
PRÊMIOS - O filme de Marco Hanois vem fazendo uma bonita carreira em festivais de cinema Brasil adentro. Conquistou o Prêmio de Menção Honrosa na categoria Curta-Metragem de Ficção em 35mm no 3º Festival de CInema de Triunfo, em agosto deste ano e ainda, em primeira mão, a produtora executiva, Ruthinha Pinho me informa que Incenso acabou de receber mais dois prêmios na 5ª Mostra de Cinema e Vídeo dos Sertões, em Floriano, Piaui, que encerrou neste domingo (21). Um de Melhor Roteiro em Curta-Metragem para Marcos Hanois e outro de Melhor Figurino para Célio Pontes, antes mesmo de sua estreia oficial, já agendada para breve. Aguardem divulgação!
-Saudações cineclubistas!
Ana Cláudia Vasconcelos
Assessora de Comunicação do Cine Califórnia Itinerante
Uma Quadra de Cinema na Nossa Escola
Quando comecei a pensar a composição do blog Cinema e Educação veio na cabeça os vários textos que tenho feito descrevendo experiências de cinema ligadas à educação e aos direitos humanos, nos últimos três anos. Lembrei inicialmente destes que já postei, de dezembro de 2010 até os dias de hoje. Depois vieram outros e mais outros, que fiz no ano passado, retrasado, (re)retrasado. Acostumada com o gerenciamento de conteúdo de sites, que na maioria das vezes segue uma cronologia que deve ser respeitada, pois se baseia no que é factual aqui e agora, fiquei por alguns segundos pensando numa saída para encaixar estas outras opções de conteúdos que me fugiram da memória. Daí, caí na real e entendi que estava no meu blog (rsrsrs!).
Bem, hoje vou seguir a cronologia da memória, postando minha primeira experiência com uma sessão cineclubista do Cine Califórnia Itinerante na Escola Estadual Nossa Escola, em Jaboatão dos Guararapes, no dia 27 de setembro de 2010. Que público, hein? E vamo que vamo!
Bem, hoje vou seguir a cronologia da memória, postando minha primeira experiência com uma sessão cineclubista do Cine Califórnia Itinerante na Escola Estadual Nossa Escola, em Jaboatão dos Guararapes, no dia 27 de setembro de 2010. Que público, hein? E vamo que vamo!
Uma Quadra de CInema na Nossa Escola
Uma quadra
que virou sala de cinema ou uma sala de cinema educacional? Foi pensando neste novo
formato que entrei satisfeita, na segunda-feira (27), na quadra de
cinema da Escola Estadual Nossa Escola, localizada na Comunidade das Carolinas,
no bairro de Candeias – Jaboatão dos Guararapes, onde o Cine Califórnia
realizou mais uma sessão cineclubista, a partir das 19h30 da noite, para 100
alunos e professores do turno da noite.
A surpresa
se tornava cada vez mais agradável, ao ver entrar naquela quadra de cinema, jovens, adultos e senhoras da terceira idade,
juntamente com as professora e coordenadoras da escola. Eram 100 lugares, cuidadosamente
arrumados pelos funcionários da instituição, que imediatamente vi serem
ocupados por um público sorridente, disposto a trocar experiências audiovisuais
conosco.
Na medida em que o som era ajustado para a
sessão, os comentários giravam em torno do filme “O Contador de Histórias”, um
documentário feito pelo realizador mineiro, Luiz Vilaça, que narra a história
de Roberto Carlos, um menor que foi entregue a FEBEM pela mãe, cujo sonho era
dar uma vida melhor ao filho querido. Ouvi um dos funcionários da escola dizer:
“outro dia desses, vi o Roberto Carlos no Programa do Jô Soares. Ele já está um
adulto formado, é professor e contou como foi importante para a vida dele contar
sua própria história e se transformar num contador de histórias conhecido no
mundo”.
Ruth Pinho, coordenadora do cineclube, abriu a sessão anunciando que em breve o Cine
Califórnia estará itinerando por várias outras escolas estaduais, em mais um
projeto de cinema nas escolas, que teve como ponto de partida as sessões
realizadas na Nossa Escola. Antes de ser longamente aplaudida pelo público
presente, sugeriu que a temática do filme exibido fosse contada através de uma
redação e entregue aos professores em sala de aula. “O cinema muitas vezes transporta
histórias da literatura para a tela grande e faz com que todo mundo aprenda
junto. Segundo uma frase de um amigo meu, gostar de cinema é tão bom quanto
andar de bicicleta, mesmo na garupa”, completa Ruthinha.
A sessão
começa com alguns minutos de atraso e logo o silêncio se estabelece na quadra. Para
mim que vivenciava pela primeira vez uma sessão em escola com um público tão
grande, bom mesmo foi observar emocionada que o argumento do filme prendeu a
atenção de todo mundo por 1h40 minutos. O documentário gira em torno da cura do
menor infrator já desenganado - diga-se de passagem – de nome Roberto Carlos.
Esta cura foi proporcionada pelo interesse da pedagoga francesa que conhece ele
na FEBEM e resolve entrevistá-lo, estudar a história do menino, para
desenvolvê-la em seus estudos, estabelecendo com ele uma convivência de amor, respeito
e cidadania.
O filme é
narrado pelo próprio Roberto ainda criança e tinha tudo para ser denso e
difícil, mas torna-se leve e bem humorado, quando transforma cenas de grande
emoção e sofrimento, num cenário de cores Almodovianas e superação, vindo do
imaginário infantil. Um filme brasileiro de excelente qualidade, com certeza
pensado e montado para ser visto nas escolas e transformado em ferramenta
pedagógica de aprendizado.
Os aplausos
de todos no final do filme e a hora que já se aproximava das 22h00 fez com que
muita gente viesse nos abraçar e sair rapidamente afirmando ter sido este o
melhor filme já exibido. Eu e Ruthinha ficamos muito felizes diante desta grata
experiência educacional. O Cine Califórnia Itinerante recomenda este documentário para
quem acredita na superação pela pedagogia, amor e respeito às diferenças!!!
domingo, 25 de setembro de 2011
Cine Califórnia Itinerante debate os anseios da adolescência em escola pública do município de Moreno
Por Ana Cláudia Vasconcelos - (Assessoria
de Comunicação – 81*9160 5301/8422 9310)
21/09/2011
Cada
vez mais o cinema nos convida a vivenciar conteúdos que nos trazem emoções
surpreendentes e vão transformando a nossa forma de pensar e de conviver. Com o
debate, logo após os filmes, as sessões cineclubistas multiplicam estas
surpresas porque interagem com o público o tempo todo. Foi o que sentimos na
primeira sessão do segundo semestre do ano letivo de 2011, do Cine Califórnia
Itinerante, que aconteceu nesta segunda, 19/09, a partir das 10h30 da manhã,
para os alunos do 1º ano integral do Ensino Médio, da Escola Cardeal Dom Jaime
Câmara, localizado no município de Moreno – Região Metropolitana do Recife.
Apesar
de termos chegado uma hora antes, um pequeno incidente com a chave da sala onde
os equipamentos de exibição eram guardados, fez com que a sessão marcada para
começar às 10 da manhã, sofresse um atraso de 30 minutos. Enquanto esperávamos,
uma professora nos disse que a escola exibia filmes internacionais de vez em
quando. “Bom mesmo é entrar no site da Programadora Brasil para selecionar
filmes nacionais e depois abrir o debate na sala de aula sobre o que os alunos acharam
da sessão, esclarece Ruth Pinho, coordenadora e idealizadora do projeto. Com a
ajuda de Toninho, 18 anos - um aluno que demonstrou talentos para lidar com os
equipamentos da escola - logo os 100 alunos que lotavam o auditório estavam
prontos para mais uma jornada audiovisual que se iniciava.
A
curadoria dos filmes do projeto Cine Califórnia Itinerante foi planejada para
atingir o público adolescente das escolas públicas, seus desejos e anseios
característicos da idade. Na programação o curta pernambucano, Nº 27 (20min),
de Marcelo Lordello e o longa-metragem de produção gaúcha, de Jorge Furtado, Houve
uma Vez Dois Verões (75min), cujos roteiros retratam situações inusitadas
vivenciadas pela garotada na faixa dos 11 aos 21 anos, justamente quando eles
saem da infância, passam por várias mudanças no corpo e iniciam suas primeiras
experiências sexuais.
Quando
o curta Nº 27 começou todo mundo ficou em silêncio. Este filme é denso e
incomoda mesmo! Conta a história da angústia de um jovem adolescente que tem
que enfrentar os colegas da escola depois de sofrer uma dor de barriga “daquelas”
num banheiro sujo e sem papel higiênico.
O
bulling pode acontecer com qualquer um e deve ser compartilhado com a família e
com a direção da escola, imediatamente após o caso. “Tem algumas situações que
você não sabe se aconteceu mesmo o bulling, se realmente a intenção foi de
humilhar a pessoa ou é brincadeira da galera”, comentou Talita, de 17 anos, na
hora do debate, deixando seus colegas reflexivos.
O
segundo filme exibido foi o longa-metragem Houve uma Vez Dois Verões, que animou
a garotada com a trilha de abertura - feita em animação - composta por
releituras de alguns clássicos do rock dos anos 70. O roteiro conta a iniciação
sexual de dois amigos adolescentes de férias, num cenário de sol e mar, surf
music e gente jovem e bonita, até que um deles, por acaso, se apaixona por uma
garota e quer aprofundar a relação de amor.
Entre
sobressaltos na hora das cenas de romance e piadinhas estimuladas pelo tema no
escurinho do auditório, nossa surpresa maior começou ao meio dia, quando a campainha
da escola tocou anunciando o final do turno da manhã – as escolas que adotaram
o horário integral param suas atividades para o almoço dos alunos e
funcionários, depois continuam à tarde. A sala se levantou em peso - 30 minutos
antes do término do filme. Achamos que não ia ficar mais ninguém para o debate.
Dos
100 alunos presentes ao início da sessão, 35 ficaram para a reflexão que se
transformou numa roda mais íntima, cujos depoimentos descreveram a verdade de
cada um. “Agente tem que ter cuidado com a primeira transa. É muito hormônio,
né?”, abre o jogo, Talita, 17 anos. “Pecado é discriminar, vi ontem na parada
gay”, nos conta Luiz Felipe, 17. Risos de todos e muitas palmas!
Desta
vez, a camisa do Cine Califórnia Itinerante, que geralmente é sorteada, foi
entregue ao Toninho - pela ajuda na rápida instalação dos equipamentos – à Talita
e ao Luiz Felipe, porque animaram o debate com depoimentos francos e divertidos! Foram entregues cópias em DVD do filme Incenso (20
min), do cineasta pernambucano (IN MEMORIAN) Marcos Hanois, baseado na
poesia do também pernambucano, Ascenso Ferreira. Sacos de pipoca e pirulito de
morango foram distribuídos para todos antes e depois da sessão.
Cine Califórnia Itinerante é um projeto do Cine Califórnia, patrocínio do Funcultura/ Audiovisual, Fundarpe,
Secretaria de Educação e Governo de Pernambuco, através do 3º Edital do
Programa de Fomento à Produção Audiovisual de Pernambuco/ FUNCULTURA 2009-2010,
com apoio do MinC/ Regional NE e Federação Pernambucana de
Cineclubes/ FEPEC e ao Conselho Nacional de Cineclubes/ CNC.
Cine Califórnia Itinerante – Ano 2011 (texto divulgado no primeiro semestre)
E o Cine Califórnia continua
itinerante nas escolas públicas de Pernambuco. Para o ano letivo de 2011, propôs
mais um projeto que leva o cinema e a discussão do conteúdo audiovisual nacional
para os alunos de 12 escolas da Região Metropolitana do Recife com o objetivo
de exercitar a cidadania e a liberdade de expressão. Desta vez, foram
selecionados dois filmes, um curta pernambucano, Nº 27, de Marcelo Lordello e
um longa-metragem de produção gaúcha, de Jorge Furtado, cujos roteiros retratam
situações inusitadas vivenciadas por adolescentes para serem vistos e
refletidos por estudantes do Ensino Médio.
As primeiras sessões
aconteceram ainda no primeiro semestre, na Nossa Escola, em Candeias, Jaboatão
dos Guararapes, no dia 26 de abril, e dois dias depois, na Escola Landelino
Rocha, no bairro do Pina, cidade do Recife, no dia 28. Como é de costume, as
exibições do Cine Califórnia na Nossa Escola conseguem agregar um público de 80
a 100 pessoas de todas as idades.
O curta pernambucano, Nº 27,
de Marcelo Lordello, inquietou muita gente que não parava tranqüilo na cadeira
da quadra de cinema. No filme, a história da angústia de um jovem adolescente
que sai da sala de aula por conta de uma dor de barriga muito grande e a
situação se complica quando ele percebe que não tem mais papel higiênico no
banheiro. Ficou a reflexão de como se comportar diante de situações como o bulling
na escola.
Assistindo ao mesmo filme,
os cerca de 70 alunos da Escola Landelino Rocha, reunidos no pátio da
instituição, conversavam baixinho e faziam graça diante das cenas de bulling,
presentes no curta Nº 27. Para nossa surpresa, logo depois de finalizada a
exibição, surgiram comentários como: -É o que agente vê hoje em dia! As pessoas
não dão a mínima para as dificuldades dos outros! Ou, quem não passou por uma
situação parecida com essa, né não? Questiona Ana Aparecida, 18 anos, estudante
do segundo ano do Ensino Médio.
O debate foi dos mais
participativos, até chegarmos a conclusão que apesar de vivermos situações
diferentes, em contrapartida, temos sentimentos iguais no nosso cotidiano. O
que devemos fazer, então? Enfrentar ou se acovardar diante das dificuldades? Eis
a questão! A discussão nas duas instituições de ensino girou em torno dos
desafios encontrados na convivência escolar e o que devemos aprender com eles.
Assobios e excitação mudam o
clima da platéia, já no início do segundo filme, quando, em ambas escolas, o
longa-metragem “Houve uma Vez Dois Verões”, de Jorge Furtado, se apresenta num
cenário de sol e mar, surf music e gente bonita. A trilha sonora convida o
público a ficar atento ao filme do começo ao fim. No repertório, covers de
alguns hits super famosos dos anos 70 e canções inéditas. Uma boa trilha para
fazer qualquer jovem refletir sobre o tema sexo e amor na adolescência: a
primeira transa, ficar ou namorar? E assuntos como: sexo com ou sem emoção? Mas
com camisinha sempre!; as pernas curtas da mentira; a responsabilidade na
adolescência e a casualidade do amor; entre tantos outros desdobramentos.
O personagem Chico
(interpretado pelo ator global, ainda adolescente, André Arteche) é um jovem
ingênuo e amigo e a personagem Roza (interpretada pela atriz Ana Maria
Mainieri), vive uma garota bonita e experiente, que teve que assumir a guarda
do irmão desde cedo e por isso só pensa em conseguir dinheiro para sobreviver,
custe o que custar. Eles formam o casal principal da trama, que se encontram por
acaso e, juntos, vivem uma intensa paixão. Porém várias reviravoltas do destino
ainda irão influir no relacionamento deles.
As sessões cineclubistas do
Cine Califórnia Itinerante continuam no segundo semestre nas escolas públicas formadoras
do Núcleo METROSUL, que abrange as cidades de Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca,
Moreno, São Lourenço da Mata e Camaragibe, com datas ainda sendo negociadas.
Aguardem em breve a divulgação da nossa agenda de exibição.
Cine Califórnia Itinerante é um
projeto do Cine Califórnia, patrocínio
do Funcultura/ Audiovisual, Fundarpe, Secretaria de Educação e Governo de
Pernambuco, através do 3º Edital do Programa de Fomento à Produção Audiovisual
de Pernambuco/ FUNCULTURA 2009-2010, com apoio do MinC/ Regional NE e Federação Pernambucana de Cineclubes/ FEPEC e ao
Conselho Nacional de Cineclubes/ CNC.
Ana Cláudia Vasconcelos
Assessora de Comunicação do Cine Califórnia Itinerante
(81) 9160 5301/8422 9311
Reflexão Pós-lançamento do filme A Mão e a Luva – A História do Traficante de Livros (Divulgado em 12 de dezembro de 2010)
O que
leva uma pessoa numa condição quase miserável a comprar livros para emprestar? A lúcida pergunta do
ator social e produtor cultural, Kcal Gomes está presente no início e no final
do filme A Mão e a Luva – A História do Traficante de Livros, de Roberto Orazi.
Ficou como um mantra na cabeça de alguns cidadãos que se deslocaram de
suas casas em direção à Comunidade do Bode - no bairro do Pina, Zona Sul do
Recife - na noite da última sexta (10/12) para assistir ao lançamento do
documentário e se juntar às famílias das crianças e adultos que frequentam
a Livroteca Brincante do Pina. Boa provocação do diretor italiano, que gerou
muitas reações ao término dos 70 minutos de duração do filme. Entre muitas
palmas e grande sentimento de pertencimento por parte da comunidade, fatalmente
uma outra pergunta surgia, observada no depoimento de boa parte do público
presente: o que estou fazendo como cidadão para participar desta construção
coletiva no espaço em que vivo?
A estréia
nacional do filme na Comunidade do Bode se transformou numa grande
confraternização de aproximadamente 300 pessoas, entre moradores de todas as
idades, amigos, realizadores do filme, imprensa, produtores culturais,
cineastas, cineclubistas de vários países da América Latina e representantes do
Ministério da Cultura Regional Nordeste, do Cine Califórnia Itinerante e do Consulado da Venezuela – parceiro de
trabalho de Kcal Gomes no trabalho desenvolvido na Livroteca.
A
realização do lançamento do filme foi da Livroteca Brincante do Pina, que
contou com a produção executiva de Mauro Lira, Assessoria de Comunicação de Ana
Cláudia Vasconcelos e a presença do diretor italiano Roberto Orazi e do
produtor do filme, Riccardo Neri. O formato da festa ganhou telão e som
profissionais, de fácil montagem e desmontagem. O apoio do MinC Regional NE,
Tom Produções e do Cine Califórnia. Cadeiras para 100 pessoas e a ajuda da
comunidade que não se fez de rogada e participou de todo o processo. O
roteiro do filme conta a história do músico e poeta Kcal Gomes e o seu sonho de
comprar livros para construir uma biblioteca comunitária, que vem transformando
a vida da meninada do Pina, oferecendo um ambiente de criação artística e
literária para todos com um acervo de aproximadamente 15 mil livros.
Crônica Social em dois Momentos
O
documentário apresenta um roteiro com dois momentos, de dinâmicas
próprias e ao mesmo tempo complementares: um que conta a história da
paixão de Kcal pela literatura e como ele tornou o seu sonho acessível
para as crianças do Bode, com a construção da biblioteca comunitária.
Outro que conta a difícil trajetória deste poeta, músico e produtor cultural em
busca de apoio para divulgação de um sarau poético que realizou com a garotada
da comunidade, no dia 1º de maio deste ano.
As cenas
mostram o passo a passo desta produção. Este segundo momento do filme deixa
visível as dificuldades da realização de um projeto sem dinheiro, com pouca
estrutura, mas com alguns amigos de boa vontade para ajudar. Começa com a
criação e confecção do cartaz, desde a criação artística das crianças, que
criam e pintam a logomarca do sarau poético, até a montagem do layout no
computador, enfatizando a importância da confecção do cartaz como peça de
divulgação para o sucesso do evento, que personaliza, dá identidade ao projeto.
À ida até a Rádio Comunitária da
Comunidade do Bode, onde é muito bem recebido pelo comunicador, também é um
caminho trilhado por Kcal Gomes na divulgação do seu sarau infantil. A Rádio dá
a voz e a vez que todos precisam para a divulgação de seus trabalhos na
comunidade. "Foi um prazer filmar uma história positiva do
Brasil, a história de uma pessoa que virou o jogo e quis compartilhar o
prazer da literatura com todos ao seu redor", afirma Roberto
Orazi. Já Kcal Gomes visivelmente emocionado, garante - ladeado de crianças que
não paravam de gritar com as cenas em que se viam no filme - "este é um
momento muito importante para mim e para a Comunidade do Bode".
A trilha
sonora do filme foi composta por Kcal Gomes no violão, pelo acordeonista
ítalo-brasileiro Renato Borghetti e pelo italiano Roberto Vallicelli. Mistura
na medida certa que deu mais vida, mais emoção e permeou boa parte das cenas do
filme com uma deliciosa sensação de brincadeira. Um convite para despertar
a criança que anda escondida lá dentro de cada um de nós! O documentário é
uma realização da Produtora Lupin Film, custou E 80 mil e foi patrocinado pela
Embaixada do Brasil em Roma e Associação Amizade Itália Brasil.
-Ana
Cláudia Vasconcelos
Assessora
de Comunicação
(81) 9160
5301/8422 9310
Lançamento Nacional do documentário A Mão e a Luva - A História do Traficante de Livros (70min.) na Comunidade do Bode. Uma realização da Lupin Film, com direção de Roberto Orazi, que conta a trajetória social do promotor de leitura, músico e poeta Kcal Gomes. Dezembro de 2010.
Programação Social na noite de lançamento do filme A Mão e a Luva para a Comunidade do Bode
Os moradores da Comunidade do Bode estão em
contagem regressiva para a realização de uma festa de valor inestimável. Próxima
sexta (10), a partir das 19hs, vão se ver na tela de cinema, armada na Praça do
Patronato para a tão esperada estreia no Brasil do documentário A Mão e a Luva
– O Traficante de Livros, do premiado cineasta italiano Roberto Orazi. O filme conta
a trajetória cidadã do poeta e músico Kcal Gomes, gestor e articulador da Livroteca
Brincante do Pina – que se sentiu estimulado, aos 16 anos, a sair da pobreza em
que foi criado para construir o sonho de montar uma biblioteca comunitária sob
as palafitas do Bode, a partir da leitura do primeiro livro, encontrado na maré:
A Mão e a Luva. Um romance produzido em 1874, pelo cronista, contista,
romancista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, crítico e ensaísta
autodidata carioca e negro, Machado de Assis.
Kcal Gomes acabou de chegar de Roma, quando
prestigiou – e também foi muito prestigiado por um público de 500 pessoas
aproximadamente, juntamente com a equipe da Lupin Film, empresa realizadora do filme
– a primeira exibição do documentário durante o 5º Festival Internacional de
Cinema de Roma, na Itália. O longa-metragem foi exibido mais duas vezes nos
dias 03 e 04 de novembro de 2010, na Embaixada do Brasil em Roma e na
biblioteca de uma escola pública, na periferia da cidade.
“O filme teve uma aceitação de público e crítica
muito boa. Ganhou o prêmio de segundo lugar na categoria Outro Cinema, concorrendo com mais oito documentários de vários
lugares do mundo, nos conta com brilhos nos olhos e a auto-estima lá em cima, o
Traficante de Livros do Bode. Acrescenta ainda que foi muito bem tratado em
Roma e que gostou do que viu no filme: “minha historia contada com poesia e
simplicidade, nem herói, nem vilão”, analisa Kcau, cercado de crianças. Enquanto
conversava comigo também orientava uma atividade recreativa de pintura e
desenho de livros infantis com a meninada – monitorada pelo amigo e capoeirista
Val - no Ponto de Leitura Livroteca Brincates do Pina.
Programação
Social
A estreia nacional de A Mão e a Luva – O
Traficante de Livros vai contar com a presença do diretor Roberto Orazi e do
produtor do filme, Riccardo Neri - que estão chegando no Recife nesta terça-feira
(07) – e com uma programação social que visa alguns momentos de integração
cultural. A música que reverencia os ancestrais e afirma a identidade
cultural da comunidade, onde moram muitas crianças e adolescentes, aliada ao exercício
da reflexão sobre os direitos humanos pelo audiovisual, estarão presentes neste
grande dia.
Uma sessão cineclubista marcará o lançamento do documentário,
seguida de debate com os realizadores e a comunidade local e para encerrar,
Kcal Gomes - o ator social do filme - movimentará um recital de poesias com
quem mais quiser participar. Portanto, tragam suas poesias e prestigiem nossa programação
(ver abaixo a sinopse e ficha técnica dos filmes que serão exibidos):
19hs –
Abertura do lançamento do filme com a apresentação do Maracatu Nação Erê, do
Pina.
20hs –
Exibição do curta-metragem (15min.) da cineasta pernambucana, Kátia Mesel, Recife de Dentro pra Fora – baseado no
poema O Cão Sem Plumas, do escritor
pernambucano, João Cabral de Melo Netto.
21hs – Lançamento do documentário A Mão na Luva – O Traficante de
Livros (70 min.), de Roberto Orazi.
Fotos de Kcal Gomes, Roberto Orazi e Riccardo Neri durante estreia do filme A Mão e a Luva - O Traficante de Livros, no 5º Festival Internacional de Cinema em Roma
Fotos de Kcal Gomes, Roberto Orazi e Riccardo Neri durante estreia do filme A Mão e a Luva - O Traficante de Livros, no 5º Festival Internacional de Cinema em Roma
Sejam bem vindos ao Blog Cinema é Educação!
A ideia é argumentar todos os ângulos do cinema comprometido com a educação. O cinema que faz refletir os direitos humanos e a liberdade de expressão com exibições nas escolas públicas e privadas, presídios, hospitais e em comunidades onde pontos de cultura e pontos de leitura compartilham com o público todos os valores e significados da cultura popular brasileira. Um cinema que quer comunicar, que gera identidade, preocupado com a produção de conteúdos que promovam atitudes cidadãs, para que sempre seja aberto, logo após a sessão, um espaço coletivo de debate sobre o filme com todos os presentes. Um cinema preocupado com a distribuição destes conteúdos para todos, sem distinção. Um cinema que forma cidadãos e não consumidores compulsivos. Um cinema chamado cineclubismo. Está aberto o debate! Um grande abraço em forma de luz e gratidão a todos os mestres que me orientaram a seguir os caminhos do audiovisual!
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