25/11/2011
O Cine Califórnia Itinerante realizou a sua última sessão cineclubista de 2011 na Escola de Referência e Ensino Médio de Ipojuca, nesta quarta-feira (16/11), às 14h00. Encerrar este projeto de exibições audiovisuais com conteúdo nacional direcionado para os adolescentes do Ensino Médio de 12 escolas da rede pública de ensino do Estado foi uma vivência super prazerosa e de grande aprendizado para a equipe composta pela idealizadora do projeto, a cine-educadora Ruth Pinho, pelo produtor Carlos Mattos e por mim, Ana Cláudia Vasconcelos, na assessoria de comunicação.
Para chegar até a escola, viajamos rumo ao litoral sul de Pernambuco. Um passeio belíssimo e por isso mesmo, inesquecível. No caminho, logo após o pedágio da nova Ponte do Paiva, qualquer assunto fica pra depois diante do espetáculo de céu, mar e coqueiros de tirar o fôlego que só combinam com silêncio e contemplação à natureza!
A sala de aula da escola tinha 75 cadeiras que abrigaram os alunos do 1º, 2º e 3º ano. Para caprichar e deixar tudo no mais completo escurinho do cinema, a cine-educadora Ruth Pinho pediu algumas folhas de papel madeira para a professora de português, Fátima Oliveira e logo todas as janelas da sala estavam completamente protegidas de qualquer claridade.
Ambiente totalmente adaptado e equipamentos testados para começar a exibição do curta pernambucano de Marcelo Lordello, Nº 27 (20min) e o longa-metragem do realizador gaúcho, Jorge Furtado, Houve uma vez Dois Verões (70min). Ambos com roteiros que propuseram uma discussão sobre os conflitos da adolescência - fase da vida na qual acontecem grandes mudanças no corpo e na mente dos jovens em formação.
Ruth Pinho apresenta o projeto do Cine Califórnia Itinerante e toda a equipe para a turma. Depois pergunta: -quem sabe por que a atividade de levar cinema para a escola com debate depois das exibições é muito importante para vocês que estão no Ensino Médio? Gente vocês vão fazer vestibular! Já devem estar se perguntando qual profissão escolher, né não? Além de formar um público estudantil mais culto e crítico, pois aprendemos muito debatendo os conteúdos nacionais exibidos, existe também uma cadeia produtiva do cinema que vocês precisam conhecer e explorar, reforça. Todo mundo ligado só escutando!
"Vocês sabiam que, para fazer um filme em longa-metragem é preciso uma equipe de cerca de 70 profissionais?", continua Ruthinha. E ela mesmo responde: tem o diretor, roteirista, diretor de fotografia, diretor de elenco, elenco, produtor executivo, diretor de arte, continuista, still...é muita gente! E ninguém é mais importante do que ninguém, cada um tem o seu papel na realização do filme! Esclarece a cine-educadora um pouco antes de iniciar a sessão cineclubista.
Quando acabou a exibição dos dois filmes, desta vez, quem abriu o debate fui eu com a seguinte pergunta: -Alguém sabe porque o filme de Marcelo Lordello se chama Nº 27? “É o número da chamada do menino na turma dele. Agora observei que ele não tem uma conclusão”, chama a atenção a estudante do 3º ano, Vanessa Natal, de 17 anos. Daí fiz outra pergunta e direcionei para Vanessa: qual final você criaria para o curta? Ela responde: a diretora da escola faria uma palestra para pais e alunos sobre como lidar com a situação, para conscientização de todos os envolvidos. Gritos da turma e muitos aplausos!
“Quem sofre o bulling tem medo de falar. Muitos pais são ausentes também”, complementa Eduardo Felipe, 16 anos, estudante do 1º ano. “Acredito que o bulling é uma perda de tempo. Se cada um tomasse consciência que todos temos nossa diferenças não tomaríamos conta das diferenças dos outros”, conclui Emersson Oliveira, 16, do 2º ano. O que vocês acharam de Roza, do filme Houve uma Vez Dois Verões? Pergunta Carlos Matos para a turma. “Adolescente que age pelo momento, não com prevenção’, define Livia Mariana, 17, do 3º ano. “Dá pra perceber que ela tinha um relacionamento com o dono do fliperama”, interpreta Geise Mirelle, 17, 3º ano. “Ela agia assim como meio de sobrevivência! ”Enfatiza Jaqueline Maria, 18, 3º ano. Já a professora Fátima, demonstra uma percepção mais abrangente quando arremata: -desde o começo ele se entregou com muito desprendimento a este amor!
Na sequência, as camisas foram entregues aos dois alunos que mais se destacaram em suas colocações, assim como dois DVDs do filme Incenso, do cineasta pernambucano (in memorian) Marcos Hanois - sendo um doado para o acervo da escola – e os livretos de literatura de cordel do projeto Incenso na Escola aos resto da turma, além de distribuída pipoca de graça para todos e ainda uma sessão de fotos para a memória do Cine Califórnia Itinerante.
Cine Califórnia Itinerante é um projeto do Cine Califórnia, patrocínio do Funcultura/ Audiovisual, Fundarpe, Secretaria de Educação e Governo de Pernambuco, através do 3º Edital do Programa de Fomento à Produção Audiovisual de Pernambuco/ FUNCULTURA 2009-2010, com apoio do MinC/ Regional NE e Federação Pernambucana de Cineclubes/ FEPEC e ao Conselho Nacional de Cineclubes/ CNC.

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